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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sopa de cogumelos - A Época da Inocência - Receita de cinema


Mais uma receita do Cinema para vocês se deliciarem, impressionarem a(o) namorada(o), e ter muito assunto para discutir durante o jantar. Aliás, se você não assistiu o Filme alugue antes do Jantar, para poder conversar sobre ele.

Filme : A Época da Inocência
Sinopse
Nova York, 1870. Um advogado (Daniel Day-Lewis) está de casamento marcado com uma jovem (Winona Ryder) da aristocracia local, quando uma condessa (Michelle Pfeiffer), prima de sua noiva, volta da Europa após separar-se do marido. As idéias dela chocam a tradicional sociedade americana e, ao tentar defendê-la, o advogado se apaixona por ela e é correspondido.

Sopa de Cogumelos
Ingredienntes
300 g de cogumelos frescos (Paris, Shitake)
20 g de manteiga
1 cebola ralada
½ litro de caldo de legumes
2 gemas
1 xícara de chá de leite
½ xícara de chá de creme de leite fresco
1/3 xícara de chá de salsa
Noz moscada
Pimenta do Reino
Sal a gosto

Modo de preparo

Limpe devidamente os cogumelos, lave-os rapidamente e corte em fatias. Doure a cebola em uma panela com a manteiga. Junte os cogumelos reservados. Adicione o caldo e cozinhe por ½ hora. Misture as gemas no leite e despeje na sopa fora do fogo. Misture bem e volte para engrossar, acrescente o creme de leite, tempere a gosto e deixe encorpar até o ponto desejado. Sirva com a salsinha por cima.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sem Reservas - Receita de Cinema



Aromas e sabores do filme Sem Reservas, no qual a deslumbrante Catherine Zeta-Jones enfrenta o calor do fogão.


Enfim surgiu um filme que glorifica a cozinha como célula mater da família, como já provaram todos os que se sentam em torno de fogões e fumaça de frituras. Sem Reservas (refilmagem da comédia alemã Simplesmente Martha) serve-se de uma maneira curiosa e divertida para vender seu peixe e estreitar esses laços, acrescentando algumas pitadas de rancor. A gastronomia cinematográfica é um campo de batalha. Vai da luxúria de A Festa de Babete ao grotesco A Comilança, clássicos da arte de forrar o estômago com intenções dramáticas. O maravilhoso mundo dos chefs estrelados não é bem o que parece ser. Dizem até que eles são tão vaidosos que, na França, desfilam entre as mesas não para saber se os clientes comeram bem, mas para recolher aplausos, pois acham impossível que não tenham ficado satisfeito. Assim é Kate (Catherine Zeta-Jones), nova-iorquina e lindíssima comandante de cozinha que se comove com trufas, lagostas, filets, massas e molhos em geral - e os defende contra fregueses bárbaros que não sabem comer. Acorda às 4h30 da manhã em busca dos melhores peixes, e não hesita em comprar trufas no mercado negro. É tão exigente que sua patroa a manda fazer análise, para que não enlouqueça ou desestruture os comensais. Pois ela atira um naco de carne crua na mesa de um cliente que reclama de um filet que não estaria malpassado, como pedira, gritando que mais malpassado que aquilo só se servisse um boi vivo.

No entanto, um destino cruel muda sua vida e seus temperos. É quando a gastronomia se transforma em pedagogia de boas maneiras à mesa e na vida. Com a morte da irmã, passa a cuidar da sobrinha Zoe (Abigail Breslin), que detesta o que ela faz no fogão. Para azedar as coisas, surge ao lado dos fornos do restaurante um subchef (Aaron Eckhart), que canta ópera enquanto vai jogando coisas nas panelas. Ela o detesta intensamente por ter invadido "sua" cozinha, onde vagabundo não entra, e o faz trabalhar. Kate é rebelde também com seu terapeuta, que freqüenta de má vontade, mas nada se compara em dor à rejeição da sobrinha a suas finíssimas iguarias. Só que a menina acaba aparecendo na cozinha da tia, olhando com cara de fome um tentador prato de spaghetti ao sugo com folhas de manjericão. Nhoc! Ela abocanha a massa do cozinheiro-tenor, para espanto de Kate. Não demora para que Zoe esquarteje nabos e cebolinhas com a destreza de um espadachim-samurai senhor das cozinhas.



É claro que Kate acha que fez tudo errado com a menina e daria um tiramisù, o manjar dos deuses, para que o chef-tenor desista de se mudar para São Francisco e fique dividindo o trivial simples com ela, embora seu terapeuta tema que ele não a suportaria. Contra a rigidez de Kate, o filme serve a doçura do sous-chef e de Abigail e, no final, os três estão tão amolecidos e saborosos como um naco de pudim. Quem dirige o filme é Scott Hicks, nascido em Uganda e naturalizado australiano. Ele fez fama com Shine (Brilhante) e garantiu um Oscar de melhor ator a Geoffrey Rush. Embora cozinha seja coisa séria para os personagens, Hicks tem boa mão para comédia romântica à antiga, como essa. Seus três mosqueteiros de avental são tão unidos que só mesmo uma sólida formação entre frigideiras poderia garantir. Mesmo os chefs que não têm a beleza de Catherine Zeta-Jones sabem disso. Portanto, não se deve destratar um chef ranzinza. Ele tem mais razões que seus temperos ocultam. E solidariedade é um prato que se serve quente.

Publicada na edição 180 (Outubro/2007) da Revista Gula








Codorna ao molho de trufas negras e ravioli de cogumelo



INGREDIENTES (2 porções)

Ravioli de cogumelos
4 cogumelos portobello grandes (de cor marrom, de textura firme e carnuda)
50 ml de óleo de oliva
1 dente de alho (grande) laminado
Flor de sal a gosto

Molho de trufas
200 ml de caldo de carne
20 ml de suco de trufas (use o suco das trufas em conserva)

Codorna
2 codornas inteiras limpas
8 lâminas de trufas negras (use trufas em conserva)
60 ml de óleo de oliva
Flor de sal
Pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Decoração
Ervas aromáticas
Óleo de oliva aromatizado com ervas

PREPARO

Ravioli de cogumelos
Corte os cogumelos de preferência com um mandoline (fatiador manual de vegetais), em oito lâminas finas. Esquente uma frigideira antiaderente, sem gordura, e doure as lâminas dos cogumelos. Pique em brunoise (pequenos cubos) os cogumelos restantes.
Em outra frigideira, aqueça o óleo de oliva e refogue o alho. Acrescente os cogumelos picados, salteie e tempere com a flor de sal. Monte pequenos ravioli, colocando uma lâmina de cogumelo como base, os cogumelos picados como recheio e outra lâmina no topo.

Molho de trufas
Reduza um pouco o caldo de carne com o suco de trufas, em fogo baixo.

Codorna
Tempere as codornas com flor de sal, pimenta-do-reino e introduza quatro lâminas de trufa no interior de cada codorna. Doure as codornas em uma frigideira com o óleo de oliva, depois leve-as ao forno quente (220 ºC), por cerca de 4 a 5 minutos, ou mais, se for necessário.
A carne deve ficar rosada por dentro.

Finalização
Sirva as codornas com o molho de trufas e os ravioli de cogumelos.
Decore os pratos com ervas aromáticas e gotas do óleo de oliva aromatizado.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Filet Mignon - A consagração da maciez

Apesar de nunca ter saído de moda e continuar a ser usado na cozinha francesa clássica, o filet mignon recupera o antigo prestígio e volta a conquistar inclusive os churrasqueiros que haviam deixado de utilizá-lo.
Ele é sinônimo de coisa boa. Quando os adjetivos faltam para definir um produto considerado pelo vendedor melhor que os outros, lá vem a frase para convencer os reticentes: "Mas isso é o nosso filet mignon!".
E tudo parece esclarecido. Além disso, tem a vantagem de ser macio e, portanto, amigo dos dentes, pouco importando se o animal não teve a vida mansa ou uma linhagem nobre. É um músculo particular, localizado abaixo das vértebras lombares do boi. Sua carne se apresenta extremamente tenra porque o animal praticamente não a movimenta durante a locomoção. Mas não constitui unanimidade: muitos costumam ignorar-lhe o sabor por não ter gordura. E torcem o nariz para seu uso no churrasco.
Basicamente, existem dois tipos de cortes o Chateaubriand, obtido na chamada "cabeça" do filet, a parte mais grossa; e o medalhão, na central, bonito como ele só, redondinho e suculento. Aqui se faz necessária uma explicação. Foram os franceses que aperfeiçoaram o corte. Detalhe semântico: "filet mignon", para eles, é o lombo de porco; chamam de "filet de boeuf " a carne objeto deste texto. Pois bem, retirada a pele prateada que envolve a peça inteira, sobra uma carne limpa e apetitosa. Usando o centro dela, que fornece porções uniformes, os franceses criaram três cortes distintos.
Quando deixam o pedaço com no mínimo 1,5 centímetro de altura e entre 110 e 120 gramas, nomeiam-no medalhão. Com 4 centímetros e 180 gramas, passam a denominá-lo tournedos. Se o tamanho dobra, fazendo-o alcançar de 300 a 350 gramas, recebe o nome de Chateaubriand (mais adiante explicaremos por quê).


Os principais cortes do filet: 1 - O filet mingon inteiro e limpo de gorduras e aponevroses. 2 - Picado neste tamanho pode ser usado para fondue ou refogado. 3 - O tradicional Chateaubriand, cortado da "cabeça" do filet. 4 - Do coração do filet, o famoso tournedos. 5 - Um medalhão, retirado mais perto da ponta. 6 - Corte específico para o brasileiríssimo "picadinho"

No vídeo de sua autoria, em que explica o fundamental do churrasco, o mestre paulista GuardaBassi afirma que as peças do filet devem ser temperadas com sal não muito grosso e, segredo maior, colocadas próximas à brasa (15 centímetros) em calor forte, para que fiquem bem "seladas" por fora e suculentas por dentro. Por este termo se entende, para sempre, uma carne mal-passada ou no máximo ao ponto, adverte o churrasqueiro, que fica arrepiado por outro motivo, aquele mesmo, quando ouve de alguém o terrível pedido: "Para mim, bem passada, por favor".
GuardaBassi esteve há pouco tempo (e corajosamente) na "pátria" do churrasco, o Rio Grande do Sul, e conta divertido que, ao longo de sua palestra em Viamão, perto de Porto Alegre, um homem quis saber o que achava do filet mignon na sagrada brasa. Olhares desconfiados foram dirigidos ao indagador, que chamou a atenção por seu sotaque diferente. "Era um carioca no meio de mais de 30 gaúchos, que normalmente acham o filet uma carne de boiola...", sublinhou o mestre paulistano. "Respondi que ninguém faz churrasco tão bem como os gaúchos, mas seu domínio é com os assados, não com os grelhados." E explicou que a convivial cultura gaúcha demanda normalmente grandes peças para muita gente, as quais precisam ser assadas com paciência, enquanto os cortes menores e selecionados vão à grelha por poucos minutos, exigindo muita atenção quanto ao ponto. Caso específico do filet mignon.
A pergunta foi inevitável e a resposta incisiva: "Sim, eu fiz um churrasco com ele e todos gostaram!".

Esse resgate na brasa constitui algo natural para GuardaBassi, lembrando que há 50 anos a qualidade da matéria-prima no Brasil era muito ruim, e esse corte "salvava" a honra dos churrasqueiros. A técnica da maturação da carne e a prática atual do abate de animais mais jovens ainda não haviam "descoberto e amaciado" a picanha, por exemplo, que viria a fazer tanto sucesso. "Naquela época, criava-se boi; hoje, cria-se carne", diz, indicando que a melhoria genética tornou o filet mignon ainda mais interessante do ponto de vista culinário e que a ausência de gordura não o torna menos gostoso que outras partes do boi. E seu sabor bem definido, aliado à extrema maciez, pode dispensar os copiosos adereços que sempre estiveram atrelados a ele.
Muitos pratos à base desse corte bovino ficaram conhecidos ao longo do tempo, oriundos sobretudo da cozinha francesa. Talvez o mais emblemático prato de filet surgiu por obra de Adolf Dugléré, chef do mítico Café Anglais, de Paris, amigo do compositor Giacomo Rossini (1792-1868). Certa noite, o cliente pediu ao cozinheiro, a quem chamava de "Mozart da cozinha", que criasse uma receita na hora, improvisando ali no salão. Uma das versões diz que, meio constrangido, Dugléré afirmou que não conseguiria se concentrar direito ali diante dele, e Rossini exclamou: "Eh bien, faites-le tourné de l'autre coté, tournez-moi le dos". (Pois bem, faça-o virado do outro lado, fique de costas para mim.) Esse tournez-moi le dos teria dado origem, segundo historiadores, ao tournedos, medalhão grafado em alguns de nossos cardápios mais simplórios como "turnedô". No caso do prato inventado por Dugléré, é servido com foie gras e trufas por cima, sobre uma fatia de pão, finalizado com vinho Madeira (ou Porto) deglaçado na frigideira em que a carne foi dourada.

Uma das cenas marcantes do recente filme Piaf - Um Hino ao Amor mostra o primeiro encontro da notável cantora com o grande amor de sua vida, o boxeador Marcel Cerdan, num restaurante fino. Ele desajeitadamente pede sanduíches, e ela recusa, óbvio. Pede o cardápio ao maître e comanda: "Traga-nos dois tournedos Rossini". A cozinha francesa clássica dignificou o filet mignon com molhos de várias naturezas, alguns célebres, como o béarnaise, teoricamente originário de Béarn, nos Pirineus, feito em banho-maria com gema de ovo, manteiga, vinho branco e ervas frescas. Mais exemplos: o filet à Diana, ao molho de mostarda; o dijonnaise, com mostarda, creme de leite, vinagre e molho rôti; e o au poivre, evidentemente coberto de pimenta. Os franceses também conceberam o filet en croûte, com a parte central da peça sendo coberta por massa folhada ou de brioche, levada ao forno e depois fatiada; e o sauce périgueux, em que a carne é "picada" com lâminas de trufa (do Périgord, naturalmente) e servida com um molho em que entram cognac, vinho branco, caldo de carne e... trufas.

O Chateaubriand, como o conhecemos, tem origem imprecisa: pode ter sido criado pelo cozinheiro do antropólogo François René de Chateaubriand (1768-1848), chamado Montmireil, em homenagem ao patrão, ou nasceu em tempos imprecisos na cidade de Chateaubriant, no Departamento do Loire-Atlantique, um dinâmico centro francês de criação de gado bovino que tem uma confraria de vistoso uniforme e muito apetite chamada Academia do Chateaubriant. Lá, esse corte pode ser servido com molho béarnaise ou de vinho tinto, mas aqui no Brasil se tornou conhecido através de uma receita farta, o filet Chateaubriand ao molho Madeira, flambado com vodka, molho do vinho com champignons e acompanhado por arroz à grega e batata palha. Existe também um prato, que fez muito sucesso nas décadas de 50 e 60, hoje meio cafona, elaborado com as aparas do filet - o strogonoff -, antiga glória dos bufês de casamento. Quem não conhece? Por conta de certos exageros do passado, é bem-vinda a redescoberta do filet mignon em sua acepção mais simples, grelhado na brasa. Nesse caso, só com sal - e sem preconceitos.

Publicada na edição 182 (Dezembro/2007) da Gula

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Il Ragù di Sofia Loren - Receita de cinema




Nas primeiras cenas do filme Sábado, Domingo e Segunda, da diretora italiana Lina Wertmüller, lançado em 1990, a personagem Rosa Priore, uma dona de casa vivida pela atriz Sophia Loren, envolve-se em confusão no açougue. Discute com outras donas de casa sobre a melhor maneira de fazer o ragù, um dos molhos antológicos da massa, e as divergências acaloradas terminam em pancadaria (ver vídeo abaixo). Como a fita se passa em Nápoles, a cena envolve a famosa receita local. Era sábado, e Rosa (Sophia) foi comprar os ingredientes para começar a fazer o ragù naquele dia e servi-lo no almoço familiar do domingo. A refeição, porém, é interrompida por novo incidente. Seu marido, o comerciante de tecidos Peppino Priore, protagonizado pelo ator Luca de Filippo, acusa-a diante de todos de traí-lo. Não existia motivo concreto para isso, mas o ciúme o tira do sério, fazendo-o esbravejar e ameaçar. Ofendida na honra e na alma, Rosa desmaia, o marido se arrepende da agressão, porém se sente incompreendido. Na segunda-feira, já com a cabeça fria, os Priore refletem sobre o episódio e concluem que, paradoxalmente, o motivo da briga havia sido o amor ainda vivo entre o casal.

A Grande Enciclopedia Illustrata della Gastronomia (Selezione dal Reader's Digest, Milão, 2000) informa que a palavra italiana ragù deriva da francesa ragoût e designa "preparações diversas entre si, mas apresentando em comum o uso da carne cozida em molho destinado a temperar a massa". A receita napolitana, que para muitos é a melhor, requer elaboração demorada. Harmoniza horas a fio cortes das carnes bovina e suína com vinho tinto, óleo de oliva, cebola, extrato e purê de tomate, manjericão e segredos domésticos de cozinha. Sua preparação faz um perfume delicioso atravessar as janelas e inebriar quem transita nas calçadas de Nápoles nas manhãs de domingo. Segundo o escritor e jornalista napolitano Guiseppe Marotta, autor do livro L'oro di Napoli, de 1947, filmado por Vittorio de Sica em 1954, o suave vapor vindo "das panelas de terracota que alouram a cebola (...) fazem o recém-colhido raminho de manjericão emanar suas nobres essências". O resultado é espetacular, para dizer o mínimo.

A mesma enciclopédia italiana diz que existem fundamentalmente dois tipos de ragù. Um é o "napoletano", que grafamos napolitano em português. Resulta do cozimento de carne com tomate e ingredientes coadjuvantes. No final, vai geralmente sobre rigatoni ou fusilli. A carne, servida junto, vira "braciole al ragù". O outro se chama "emiliano" ou "bolognese". Leva carne moída, picada ou desfiada, misturada com o tomate. Combina com fettuccine ou pappardelle. Em outras regiões, com variações na receita, converte-se em "ragù sardo", "barese" etc. Como o "napoletano" e "bolognese" incorporam tomate, ambos devem ter surgido no século XVIII, época em que o precioso fruto americano começou a se popularizar na Itália. Por extensão, agora também se fala em ragù "di seppie" (lulas), "di gamberi" (camarões) ou de vôngole. Harmonizam-se divinamente com gnocchi de batata, por exemplo. Entretanto, para a enciclopédia italiana, "são definições de fantasia". O fato é que tais variações pegaram. A família do ragù cresceu e se multiplicou. Na França, onde existe desde o século XVII, continua a ser uma preparação à base de pedaços de carne, ave, caça, peixe ou legume, cozidos em líquido, servidos com uma guarnição aromática e também empregada no recheio do vol-au-vent, pastel e empada. Nem é preciso dizer: é igualmente maravilhosa.



Pappardelle com ragù de javali e zimbro





INGREDIENTES (4 porções)

400 g de pappardelle (use massa fresca)
300 g de carne de javali cortada em cubos médios
60 ml de óleo extravirgem de oliva
20 g de cebola picada
100 g de salsão picado
100 g de cenoura picada
5 g de alecrim desfolhado
5 folhas de louro
10 g de zimbro picado
400 ml de vinho tinto encorpado
500 ml de caldo de carne
Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Decoração

Folhinhas de alecrim
Zimbro picado
1 fio de óleo extravirgem de oliva

PREPARO

Tempere o javali com sal e pimenta.
Numa panela preaquecida, doure o javali em metade do óleo. Em outra panela, maior, doure a cebola, o salsão e a cenoura no óleo restante. Acrescente o alecrim, o louro e o zimbro. Em seguida, junte a carne de javali, o vinho tinto e reduza à metade.
Adicione o caldo de carne e cozinhe por cerca de 30 minutos. Se necessário, ajuste o sal e a pimenta.
Cozinhe a massa em abundante água fervente com sal por cerca de 2 minutos. Escorra-a e junte-a ao molho, misturando bem. Sirva em pratos fundos e decore com o alecrim, o zimbro picado e um fio de óleo extravirgem.

E agora o vídeo com a eterna e belíssima Sophia Loren armando o barraco no mercado em Nápoles...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ratatouille - Receita de Cinema

Linguini e o ratinho Rémy, de Ratatouille

O primeiro filme de animação da Disney dedicado à gastronomia é imperdível. A história do ratinho Rémy, dono de olfato apuradíssimo e cozinheiro formado pelo livro de técnica do "grande chef Gusteau", retrata com perfeição o ambiente de uma cozinha três-estrelas, com toda a pressão, as figuras típicas, as divisões em praças de acordo com o tipo de prato e as disputas entre chefs, sous-chefs e ajudantes, tão freqüentes nos bastidores de restaurantes famosos.
A seguir a receita tão famosa que deu nome ao filme e ao final da postagem um Trailer do mesmo.

Bom apetite a todos!!!

Ratatouille
INGREDIENTES (4 a 6 porções)

1 cebola (200 g)
6 tomates bem maduros (700 g)
1 pimentão verde (200 g)
2 pimentões vermelhos (400 g)
3 abobrinhas italianas (600 g)
2 berinjelas (600 g)
6 dentes de alho
150 ml de óleo extravirgem de oliva
4 folhas de louro
1 ramo de tomilho
Sal e pimenta-do-reino branca moída na hora a gosto

PREPARO

Corte a cebola em brunoise (pequenos cubos). Tire a pele dos tomates em água fervente, descarte as sementes e corte-os em cubos. Abra os pimentões ao meio e retire as sementes e a película branca interna. Corte os pimentões, as abobrinhas e as berinjelas em cubos.
Tire a pele dos dentes de alho, conservando-os inteiros. Machuque-os, achatando-os levemente, de maneira que possam ser retirados no final.
Numa frigideira, ou panela de fundo grosso, refogue a cebola com 50 ml do óleo e quatro dentes de alho achatados. Junte os pimentões e refogue mais um pouco. Adicione os tomates, o louro e o tomilho.
Tempere com sal, pimenta e deixe cozinhar por 30 minutos, com tampa.
Enquanto isso, refogue as berinjelas por cerca de 5 minutos com 50 ml do óleo e um dente de alho achatado. Refogue as abobrinhas em outra frigideira, também por 5 minutos, com o óleo e o dente de alho restantes.
Adicione as berinjelas e as abobrinhas à panela com os outros legumes e cozinhe por mais 15 minutos. Ajuste o sal e a pimenta. Retire os dentes de alho antes de servir.

O Cinema Vai à Mesa

O crítico Rubens Ewald Filho, em parceria com a jornalista Nilu Lebert, lançou o guia "O Cinema Vai à Mesa - Histórias e Receitas", que destaca os movimentos gastronômicos por trás das cenas. Um guia que apresenta os filmes pela ótica gastronômica. É uma obra interessante, repleta de informações, histórias e curiosidades sobre cenas, atores e cozinha regional. Em parceria com a jornalista Nilu Lebert, o especialista define os tempos através da comida retratada em cada filme, destaca os movimentos gastronômicos por trás das cenas, faz comparações entre a filmografia do Oriente e do Ocidente com base nos pratos, criando um universo riquíssimo em que aproveita para falar da culinária local e decifrar ingredientes. A obra se completa com receitas extraídas de cenas marcantes e preparadas por chefs de renome em São Paulo. Qual o primeiro filme a consagrar a figura do chef? Por que o cinema brasileiro dá tão pouca importância à culinária? Por que A Festa de Babette se tornou referência? Como despontou o conceito de Food Film? Quais os maiores gourmets de Hollywood? O que as estrelas de cinema disseram sobre gastronomia? As respostas estão todas neste livro, que traz a análise de 28 filmes - clássicos, cults, incluindo os mais recentes como Maria Antonieta e Ratatouille.
O Cinema Vai à Mesa - Histórias e Receitas (Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert, Editora Melhoramentos, agosto de 2007).

Publicada na edição 178 (Agosto/2007) da Revista Gula

PS: A partir de hoje incluiremos uma sessão de postagens com receitas de filmes famosos...
O primeiro será do Ratatouille.
Aguardem!